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A história não-contada: Como o iPhone revolucionou a indústria de telefonia

A demonstração não estava indo bem.

Novamente.

A hora avançava em uma das manhãs do outono de 2006. Quase um ano antes, Steve Jobs deu a quase 200 dos melhores engenheiros da Apple a tarefa de criar o iPhone. Ainda assim, na sala de reuniões da Apple, era claro que o protótipo era um desastre. Não eram apenas defeitos, simplesmente não funcionava. As ligações caíam com frequência, a bateria parava de carregar antes de ficar cheia, dados e aplicações se corrompiam e ficavam inutilizados. A lista de problemas parecia interminável. Ao final da demonstração, Jobs olhou para as doze pessoas na sala com um olhar penetrante e disse, “Nós não temos um produto ainda.”

O efeito era ainda pior do que uma das petulâncias de design de Steve Jobs. Quando o chefe da Apple gritava com a sua equipe, era assustador mas familiar. Dessa vez, a sua relativa calma era de tirar os nervos. “Foi uma das poucas vezes na Apple quando eu tive calafrios,” disse alguém que participou da reunião.

As consequências eram graves. O iPhone deveria ser a peça central da convenção anual da Apple, a Macworld, agendada para acontecer em poucos meses. Desde o seu retorno à Apple em 1997, Jobs usou o evento como showcase para lançar seus maiores produtos, e os admiradores estavam esperando por outro anúncio dramático. Jobs já havia admitido que o Leopard – a nova versão do sistema operacional da Apple – teve atrasos. Se o iPhone não estivesse pronto a tempo, a Macworld seria um fiasco, as críticas caíram sobre Jobs, e as ações da Apple poderiam sofrer.

E o que a AT&T iria pensar? Depois de um ano e meio de reuniões secretas, Jobs tinha conseguido finalmente negociar termos com a divisão wireless da gigante da telefonia (na época Cingular) para que ela fosse a operadora do iPhone. Em troca de cinco anos de exclusividade, 10% brutos das vendas de iPhones em lojas AT&T, e uma pequena parcela na receita da loja iTunes, a AT&T deu a Jobs poderes sem precedentes. Ele persuadiu a AT&T em gastar milhões de dólares e milhares de horas de trabalho para criar um novo recurso, chamado de caixa de mensagens visual (visual voicemail), e reinventar o processo de ativação de celulares nas lojas que consumia tempo. Ele também conquistou um acordo único de porcentagem nas receitas, ganhando de maneira grosseira $10 por mês para cada conta de iPhone na AT&T. Além disso tudo, a Apple mantinha o controle completo sobre o design, fabricação e marketing do iPhone. Jobs tinha conseguido o impensável: espremeu um acordo favorável de um dos maiores jogadores da competitiva indústria de telefonia móvel. Agora, o mínimo que ele poderia fazer era manter os prazos de entrega.

Steve Jobs anuncia o iPhone

Steve Jobs anuncia o iPhone

Para aqueles trabalhando no iPhone, os próximos três meses seriam os mais estressantes das suas carreiras. Discussões aconteciam rotineiramente nos corredores. Engenheiros, atrasados nas longas noites de programação, saíam, e só retornavam dias depois, após recuperar as horas de sono. Uma gerente de produtos bateu a porta do seu escritório tão forte que a maçaneta empenou e a trancou dentro. Foi necessário mais de uma hora de seus colegas e algumas pancadas com um taco de alumínio para libertá-la.

Mas ao final da maratona, poucas semanas antes da Macworld, Jobs tinha um protótipo em mãos para mostrar aos chefes da AT&T. No meio de dezembro de 2006, ele encontrou-se com o chefe Stan Sigman em uma suíte de hotel em Las Vegas. Ele mostrou o iPhone e sua tela brilhante, seu browser poderoso e sua interface intuitiva. Sigman, um reservado texano deixou de lado suas tradições conservadoras de engenharia que permeavam as grandes companhias de telefonia dos Estados Unidos e disse do iPhone, “o melhor dispositivo que eu já vi.”

Seis meses depois, em 29 de Junho de 2007, começaram as vendas do iPhone. Na época, analistas estimaram que os consumidores devorariam 3 milhões de unidades até o fim de 2007, fazendo do iPhone o smartphone mais rapidamente vendido em todos os tempos. Ele é também sem dúvidas o aparelho mais lucrativo da Apple. A companhia arrecadava aproximadamente $80 dólares para cada iPhone de $399 vendido, e sem contar os $240 para cada contrato de 2 anos assinado na AT&T. Nesse tempo, quase 40% dos compradores de iPhone eram novos consumidores da AT&T, e o iPhone triplicou o volume de tráfego de dados da operadora em cidades como Nova Iorque e São Francisco.

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