Mas tão importante quanto o iPhone tem sido para as fortunas da Apple e da AT&T, é o seu impacto na estrutura da indústria de $11 bilhões por ano. Por décadas, operadoras de telefonia móvel trataram os fabricantes como servos, usando o acesso as suas redes como alavanca para ditar quais telefones seriam fabricados, quanto iriam custar, e quais recursos eles teriam. Celulares eram vistos como aparelhos baratos, iscas descartáveis, subsidiados para atrair consumidores e prendê-los nos serviços proprietários das operadoras. Mas o iPhone balanceia esse equilíbrio de poder. Operadoras estão aprendendo que o aparelho certo – mesmo um caro – pode conquistar consumidores e trazer receita. Agora, na busca de um contrato semelhante ao da Apple, cada fabricante está correndo para criar um aparelho que os consumidores irão amar, em vez de um que as operadoras irão aprovar. “O iPhone já está mudando a maneira que as operadoras e os fabricantes se comportam,” disse Michael Olson, um analista de segurança na Piper Jaffray.

ROKR foi a primeira tentativa da Apple
Em 2002, logo após o lançamento do primeiro iPod, Jobs começou a pensar sobre o desenvolvimento de um telefone. Ele viu milhões de americanos colecionando telefones, PDA’s e – agora – MP3 players. Naturalmente, consumidores irão preferir um único dispositivo. Ele também viu um futuro onde telefones celulares e dispositivos de email iriam acoplar ainda mais recursos, eventualmente desafiando a dominância do iPod como um tocados de música. Para proteger sua linha de produtos, Jobs sabia que um dia teria que se aventurar no mundo da telefonia sem fio.
Se a idéia era óbvia, também eram os obstáculos. Redes de dados eram lentas e não estavam prontas para um dispositivo com internet. Um iPhone demandaria um sistema operacional completamente novo; o sistema dos iPods não era sofisticado o suficiente para gerenciar redes complexas e gráficos, ou mesmo uma versão simplificada do OS X seria demais para um processador de celular. A Apple enfrentaria forte concorrência também. Em 2003, consumidores voaram em cima do Palm Treo 600, que juntava um telefone, um PDA e um BlackBerry em um único pacote. Isso provou que existia demanda para um dispositivo convergente, mas também criou um novo desafio para os engenheiros da Apple.
E então existiam as operadoras de telefonia. Jobs sabia que eles ditavam o que fabricar e como fabricar, e como eles tratavam o hardware apenas como pequenos veículos para os usuários trafegarem nas suas redes. Jobs, ele próprio um doente por controle, não deixaria um grupo de engravatados dizer a ele como desenhar o seu telefone.
Em 2004, o mercado do iPod se tornou mais importante e mais vulnerável que nunca. O iPod contabilizava 16% da receita da empresa, mas os telefones 3G estavam ganhando popularidade, e os telefones com Wi-Fi viriam em seguida, o preço de espaço de armazenamento despencando, e lojas de música rivais proliferando, e a sua posição de dispositivo de música dominante se apresentava em risco.
Então, naquele verão, enquanto publicamente negava a possibilidade de um telefone Apple, Jobs tentava fazer seu caminho na indústria de telefonia móvel. Em um esforço para driblar as operadoras, ele se aproximou da Motorola. Parecia uma solução simples: a fabricante tinha lançado sem popular RAZR, e Jobs conhecia Ed Zander, CEO da Motorola na época. Um acordo possibilitaria a Apple de concentrar seus esforços no desenvolvimento de um software de música, enquanto a Motorola e a operadora, Cingular, poderiam se dedicar aos detalhes complicados de hardware.
Claro, o plano de Jobs assumia que a Motorola produziria um sucessor a altura do RAZR, mas logo ficou claro que isso não aconteceria. As três companhias brigaram em praticamente tudo – como as músicas seriam colocadas no telefone, quantas músicas poderiam ser armazenadas, até mesmo como o nome de cada companhia seria mostrado. E quando os primeiros protótipos apareceram no final de 2004, tinha outro problema: o aparelho era horrível.
Jobs mostrou o ROKR em Setembro de 2005 com sua calma característica, descrevendo ele como “um iPod shuffle no seu telefone.” Mas Jobs provavelmente sabia que tinha um fiasco nas mãos; consumidores, por sua vez, detestaram o aparelho. O ROKR – que não podia baixar músicas diretamente e guardava somente 100 músicas – logo se tornou tudo o que estava errado com a indústria de telefonia móvel nos Estados Unidos, a larva de um conflito de interesses no qual o consumidor era pensado em segundo plano. A revista Wired resumiu seu desapontamento em Novembro de 2005 com a capa: “VOCÊ CHAMA ISSO DE TELEFONE DO FUTURO?”
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