27
Jun/09
0

2050: O ano em que o Google vai dominar o mundo.

“Estamos chegando lá?”

Faltavam ainda cinco minutos para as cinco horas da manhã quando Guilherme acordou com o alerta silencioso do seu relógio de pulso. A sensação de sentir o aparelho vibrar no braço em intervalos precisamente repetitivos não era nem um pouco agradável e o fez se levantar o mais rápido que pôde. Por alguns minutos, ainda sentado na cama, se perguntou por que havia comprado aquele novo modelo que não possuía um botão para desligar o alarme – muito menos o clássico botão “soneca” –, mas, ao invés disso, conseguia detectar os batimentos cardíacos e o nível de atividade cerebral para saber se o usuário havia finalmente acordado ou tentava dormir mais alguns minutinhos. Por fim, ele se lembrou o motivo da persistência do aparelho: nos últimos três dias, Guilherme chegou atrasado no trabalho e então comprou um relógio que fosse capaz de ajudá-lo nesse sentido.

O céu já aparecia bastante iluminado na janela do quarto, embora o sol devesse ainda estar nascendo nos próximos minutos. A luz passava pelas janelas em quantidade suficiente para iluminar todo o ambiente. Todas as janelas do apartamento trabalhavam da mesma forma, filtrando a luz do exterior para aproveitar ao máximo nos ambientes internos. O quão iluminado ou nublado o céu realmente estava, Guilherme só poderia ver se abrisse as janelas ou quando saísse de casa, mais tarde.

Depois de algum tempo sentado na cama, reunindo forças para ir até o banheiro, finalmente levantou-se, fazendo o mínimo de barulho para não acordar seus dois amigos que dormiam no mesmo quarto. Depois de tomar uma boa ducha, encontrou outros dois colegas que comiam algo na cozinha, antes de sair para os seus respectivos trabalhos. Uma outra amiga entrou na cozinha logo depois.

Desde 2033, as vidas nos apartamentos estavam assim. O crescimento demográfico não diminuiu tanto quanto os estudiosos previam – ao menos nos países subdesenvolvidos. Por isso, algumas cidades em situação mais crítica precisaram adotar leis de convivência para conter o número sempre crescente de habitantes.